TDAH, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, um enfoque psicanalítico.
Via de regra as pessoas portadoras são vistas como não tendo atenção, sem foco, não cumpridoras de prazos, incapazes de assumir compromissos, desorganizadas, as vezes confusas e impulsivas.
Sem entrarmos em especifidades orgânicas existe uma diferença de neurotransmissão na área do lobo pré-frontal entre os portadores. Esta diferença resulta num “filtro libidinal” por vezes quase inexistente, assim todos os pensamentos, sejam quais forem, entrarão com a mesma potência e a pessoa tenderá a ter dificuldades em escolher as suas prioridades. A mudança de foco vem simultaneamente para acompanhar este pensamento. Isto acontecendo em velocidades muito altas. O circuito está montado.
O que aparenta ser uma desatenção é uma grande atenção em muitos assuntos acontecendo ao mesmo tempo.
Mas a pessoa por muitas vezes não entende o que ocorre.
Sem entender este processo pode passar a se sentir como alguém que vive com um abismo entre o seu eu ideal e o da realidade, entre ela e os outros. Porém se esta mesma pessoa por vezes não tem a menor noção deste saber do que tem e de como poderia agir podemos supor que é um processo de muita ansiedade e por vezes atua de maneira impulsiva atras de um silencio momentâneo, um descanso desta maratona…
É um resumo bem raso deste sofrimento
Quem nunca pensou que a desatenção é relativa à preguiça, irresponsabilidade, educação…enfim?
O enfoque psicanalítico inverte esta fala, o foco passa a ser ele e a sua subjetividade. Não sobre o que o externo espera, o que ele precisa entregar, mas o que ele próprio entende da sua condição e aprofundar este olhar para si mesmo. Ao mesmo tempo que tem este filtro assim, também tem uma complexidade de pensamento que a permite interagir no mundo, mas por não saber desta capacidade desenvolvida pelo sofrimento se entende como não capaz, infantilizada, diferente demais.
Isto muda algo? Na pratica muda tudo. A psicanalise seguramente vai colaborar de modo fundamental para que esta pessoa seja capaz de se entender, se conhecer, perceber os seus assuntos, se organizar e viver a sua vida mais saudavelmente.